10 estratégias para otimizar a mobilização e reabilitação precoce na uti

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Adaptado de Hodgson et al, 2021.

   Na última década, houve mais de 40 ensaios clínicos randomizados sobre avaliação, mobilização e reabilitação precoce em unidades de terapia intensiva (UTI). Esses ensaios geralmente tem como objetivo reduzir a incidência de fraqueza adquirida na UTI (FAUTI), que está associada a baixa sobrevida a longo prazo, condicionamento físico e qualidade de vida. Muitas diretrizes internacionais recomendam a mobilização e reabilitação precoce na UTI. Apesar das evidências e diretrizes de apoio, a implementação da mobilização precoce e reabilitação na UTI é altamente variável. Hodgson et al, relatam 10 etapas para ajudar a equipe multiprofissional da UTI a otimizar a mobilização e a reabilitação precoce.


Crie uma equipe multidisciplinar com campeões


A mobilização e a reabilitação precoce são mais bem-sucedidas em UTIs com cultura que priorizam e valorizam essa intervenção. Os campeões da mobilidade podem ajudar a desenvolver essa cultura usando habilidades de liderança e comunicação para educar, treinar, coordenar e promover a mobilização do paciente. Eles apoiam a equipe com ênfase na segurança e nas habilidades práticas para melhorar a confiança e as capacidades da equipe.


Use processos de melhoria da qualidade estruturados


Uma abordagem estruturada pode melhorar muito a implementação bem-sucedida da mobilização e reabilitação precoce. Uma abordagem de qualidade inclui quatro etapas. 1 resumir as evidencias. 2 identificar barreiras (exemplo sedação ou falta de equipamento). 3 estabelecer medidas de desempenho (por exemplo, metas de sedação, frequência e nível de mobilização do paciente). 4 garantir que todos os pacientes elegíveis recebem a intervenção (por meio de envolvimento, educação, execução e avaliação apropriados).


Identifique barreiras e implemente facilitadores


As barreiras presentes na UTI estão relacionadas ao paciente (por exemplo, instabilidade fisiológica e dispositivos médicos),
barreiras estruturais (por exemplo, equipe e equipamentos limitados), barreiras de procedimento (falta de coordenação e triagem atrasada para elegibilidade) e barreiras culturais (experiência anterior da equipe e prioridades da UTI para atendimento ao paciente). Existem muitas estratégias para superar barreiras com eficácia, incluindo a implementação de diretrizes de segurança; uso de protocolos de mobilidade; treinamento Inter profissional, educação e inclusão de profissionais capacitados.


Promova a comunicação multiprofissional


O esforço da equipe multiprofissional necessário para o programa de mobilização e reabilitação precoce depende de uma comunicação ideal. Recomendamos que a comunicação Inter profissional seja facilitada usando uma estrutura adaptada para UTI individual que permita metas de mobilização (baseadas em algoritmos), incluindo uma oportunidade para todos os membros da equipe levantarem preocupações e garantirem o fluxo de informações sobre as metas de mobilidade e realizações entre equipe ao longo do tempo.

Entenda as preferências do paciente


A experiência dos pacientes de UTI com mobilização e reabilitação precoce é variável. Pode ser cansativo, desconfortável e difícil, enquanto em outras ocasiões pode ser motivador e recompensador para os pacientes. Com a melhora do estado cognitivo, os pacientes podem ficar chocados com a gravidade da sua fraqueza muscular. Nos estágios iniciais da doença crítica, os pacientes podem preferir se concentrar em metas de curto prazo (sentar em uma cadeira) definidas pela equipe multidisciplinar. Conforme os pacientes progridem, eles podem se tornar mais engajados no estabelecimento de metas e no planejamento da reabilitação de longo prazo (por exemplo, caminhar distâncias mais longas, sentar do lado de fora).


Adote critérios de segurança


Meta-análises demonstram a segurança da mobilização na UTI dentro e fora do leito, com a rara ocorrência de eventos graves. Um método de avaliação da segurança é um sistema de semáforo que fornece critérios específicos, através do sistema respiratório, hemodinâmico, neurológico e outros. Neste sistema, os critérios de luz vermelha indicam um potencial aumento para um evento adverso sério durante a mobilização que exigem uma tomada de decisão experiente, luz amarela indica risco potencial que deve ser avaliado em termos de benefício versus riscos e Luz verde indica que geralmente a mobilização é segura.

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Implementar pacotes de cuidado para dor, sedação, delírio e sono


O estado de sedação e delírio dos pacientes é uma barreira comum para a mobilização precoce. De forma mais ampla, dor, sedação, delírio, sono e mobilização precoce estão intimamente relacionados, conforme considerado nas diretrizes clínicas. A avaliação e o manejo dessas questões, por meio de práticas existentes baseadas em evidências (conforme sintetizado nas diretrizes), são importantes para maximizar a capacidade de participar da reabilitação.

 


Obtenha qualquer equipamento auxiliar necessário


As barreiras para mobilização precoce podem incluir FAUTI, condicionamento físico prejudicado, lesões traumáticas e obesidade. Equipamentos podem expandir as opções de tratamento, aumentar a mobilidade do paciente e os níveis de atividade e reduzir o risco de lesões para a equipe. Selecionar equipamentos de reabilitação pode ser desafiador, com considerações importantes, incluindo o custo/disponibilidade do equipamento, a capacidade de compartilhar o equipamento entre unidades ou pacientes (incluindo considerações do controle de infecções) e o espaço físico disponível para mobilização do paciente e para
armazenamento disponível para o equipamento. As evidências que apoiam o uso de equipamentos específicos ainda estão em evolução, incluindo a avaliação da estimulação elétrica neuromuscular (NMES), cicloergometria, pranchas de inclinação e outros dispositivos.


Avalie o momento ideal, tipo e a dose da intervenção


Existem lacunas de conhecimento importantes em relação aos exercícios, incluindo o momento, o tipo e a dose das intervenções. Há algumas evidências sugerindo que o início da reabilitação dentro de 2 ou 3 dias da admissão na UTI pode ser superior ao início posterior. Os tipos de intervenções a serem considerados incluem mobilização funcional ativa, cicloergometria no leito, eletroestimulação (com ou sem exercícios passivos ou ativos), pranchas de inclinação e uso de outros equipamentos. Além disso, a intensidade, duração e frequência de cada tipo de intervenção são consideradas importantes. Pesquisas adicionais são
necessárias para entender melhor o benefício ou dano potencial. O julgamento clínico desempenhará um papel importante e deve ser adaptado aos pacientes individuais e à natureza dinâmica da doença crítica.


Avalie regularmente os resultados e o desempenho


Mobilidade e medidas relacionadas à reabilitação, adequadas ao ambiente da UTI e integradas ao tratamento clínico, são necessárias para definir as metas do paciente e acompanhar seu progresso, alocar recursos de reabilitação escassos para aqueles pacientes que podem se beneficiar mais e conduzir avaliações de programas estruturados de melhoria da qualidade. Compreender o funcionamento do paciente antes da doença crítica e seus próprios objetivos também são considerações importantes.


   As evidências ainda estão evoluindo sobre a mobilização precoce em UTI com grandes estudos multicêntricos em andamento. Mais pesquisas são necessárias para entender o momento ideal, o tipo e a dose de intervenções e seus efeitos sobre os resultados dos pacientes em longo prazo. Essas 10 estratégias elaboradas por Hodgson et al fornecem orientação para implementação da mobilização e reabilitação precoces na UTI com o objetivo de otimizar a segurança e a eficácia para melhorar as experiências e os resultados dos pacientes.

Hodgson et al. Crit Care (2021) 25:324

https://doi.org/10.1186/s13054-021-03741-z